Como fazer uma cisterna

Captar diretamente a água da chuva é um investimento simples e com resultado direto

Como fazer uma cisterna

Por Roberto Resende 

Quase toda a água que está disponível para usarmos vem da chuva que bastece os lençóis freáticos e os rios e lagos. A técnica de se fazer um atalho no ciclo das águas é antiga e, em geral, usada em situações de escassez de chuvas. Como é o caso das cisternas.

Por exemplo, sistemas para captação de águas de chuvas em telhados e em outras superfícies (como lajedos, tanques de pedra, cisternas de enxurrada) são tecnologias tradicionais e cada vez mais disseminadas para a convivência com o clima semiárido no Nordeste brasileiro.

Mais recentemente, com a crise hídrica no Sudeste, essas tecnologias estão sendo redescobertas, tanto nas cidades quanto no campo. A cisterna
é uma tecnologia simples, de baixo custo e adaptável a qualquer região. A água é captada das chuvas por meio de calhas instaladas nos telhados das  casas e outras construções e armazenadas em depósitos. Estes podem ser feitos de diversos materiais: de alvenaria, de plástico, metal e lona. Para volumes menores, o uso de caixas prontas (de PVC) é o mais simples.

O uso da água da cisterna depende da necessidade e da manutenção de sua qualidade. Essa água serve para plantas, criações e limpeza. Sem tratamento, nem sempre pode ser usada para uso doméstico. Neste caso, devem ser feitos tratamentos como cloração e filtragem.

Pontos importantes

1 - Calcular o tamanho da cisterna considerando o telhado de onde a água vai ser recolhida e o espaço disponível para a cisterna. O telhado deve ter facilidade para ser limpo, evitando a contaminação da água. Também é bom considerar a quantidade média de chuvas. A cada 100 mm de chuva, caem 100 litros por metro quadrado. Por exemplo: em um lugar onde a chuva média é de 1.500 mm/ano, uma casa com 100 m² vai receber 150.000 litros por ano.
2 - Posicionar a cisterna de acordo com o desnível dos telhados, a distância da casa e de onde a água vai ser usada. As calhas e tubos podem ser de diversos materiais como metal ou PVC, também serem compradas prontas ou adaptadas. Deve-se evitar que a água chegue com muita força à
cisterna. Uma maneira de fazer isso é por meio de uma montagem com curvas de canos, em forma de cachimbo.
3 - Evitar que a sujeira dos telhados e das calhas como poeira, folhas, restos de animais, entre nas cisternas. Para isso, podem ser usados vários sistemas de filtragem e separadores das primeiras águas. Estes devem ser montados dependendo das condições de cada local.
4 - É fundamental evitar que a água possa abrigar mosquitos. A cisterna deve ser coberta ao menos com uma tela resistente ao sol. As entradas saídas de água também devem ser protegidas.

Para saber mais:
Aguapé Engenharia e Projetos Ecológicos:
www.aguapeengenharia.com.br
Iandé - Educação e Sustentabilidade:
www.iandenosso.com.br
Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC),
da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA):
www.asabrasil.org.br
Sempre Sustentável:
www.sempresustentavel.com.br


*Texto publicado originalmente na terceira edição da Revista Plantando Águas.

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