Conheça seis modelos de Sistemas Agroflorestais que promovem uso sustentável do solo

Cartilha da Iniciativa Verde dá dicas de como implantar SAFs

Conheça seis modelos de Sistemas Agroflorestais que promovem uso sustentável do solo

O representante da FAO (braço da ONU para a alimentação) no Brasil, Alan Bojanic, disse em evento recente que o país tem “boas práticas na área de conservação de solos, mas é preciso divulgá-las ainda mais entre os agricultores”. Seguindo sua recomendação, destacamos para o Dia Nacional da Conservação do Solo (15/4) alguns modelos de Sistemas Agroflorestais (SAFs) que são implantados em projetos da Iniciativa Verde, como o Plantando Águas e o Carbon Free Amazônia.

Os SAFs são formas de uso da terra e de produção que reúnem, no mesmo espaço, espécies agrícolas (agro), arbóreas (florestais) e animais. Todos são manejados em conjunto em um mesmo local, de acordo com os objetivos do agricultor. O aumento da ciclagem de nutrientes, a produção de biomassa, a diversificação de espécies e de grupos funcionais e a sucessão ecológica são alguns dos princípios do SAF.
Ele pode ser montado de diversas formas. Veja abaixo alguns exemplos, e acesse nossa página de publicações para baixar a cartilha “Desenvolvimento rural sustentável: Agroecologia e Sistemas Agroflorestais”, que dá dicas de como aplicá-lo.

Quintais agroflorestais
Estes visam diretamente o consumo da família. Por isso, normalmente, o grupo de plantas que faz parte dos quintais agroflorestais é diverso: ervas usadas como temperos, plantas medicinais; plantas olerícolas (de horta), como couve, taioba, milho e mandioca; e espécies tardias, como frutíferas, palmito e lenha. Além disso, nos quintais muitas vezes existem espécies utilizadas unicamente com a função ornamental ou de gerar sombra.

Pomares agroflorestais
São sistemas de cultivos perenes semelhantes a pomares. A diferença está em conterem espécies com funções produtivas e outras com funções ecológicas, fornecendo sombreamento e reciclagem de nutrientes. Podem ter as espécies “carros-chefes”, ou seja, presentes em maior quantidade, visando à produção comercial.

Sistemas silvipastoris
Espécies arbóreas, culturas agrícolas e animais podem ser integradas nos sistemas silvipastoris (árvores e pasto) e agrossilvipastoris (agricultura, árvores e pasto).
Há diversas formas de fazer essa integração, que podem ser:
• o uso de árvores para a divisão de piquetes no pasto, ou o plantio de faixas ou espalhadas no pasto, para dar sombra e alimento aos animais e ajudar na recuperação do solo;
• a integração da criação de animais em áreas de cultivos perenes de porte grande e espaçamento largo;
• o uso de algumas espécies de árvores como alimento para os animais;
• o plantio de espécies que alimentam as abelhas (o pasto apícola).

Aleias
É uma prática agroflorestal bem simples, que consiste no plantio de linhas de árvores em faixas, em um espaçamento que permita o cultivo de culturas anuais, de forma mecanizada, entre as faixas. Os objetivos principais são: melhorar a fertilidade do solo com baixo custo, com a poda das árvores servindo para adubar a terra; criar abrigo para predadores naturais de pragas; e “quebrar” o vento.

Quebra-ventos
Mesmo com pouca mudança na forma de trabalhar a terra, traz vantagens para o agroecossistema por impedir a ação de ventos excessivos que roubam a umidade do solo e das plantas e que trazem doenças para a lavoura. Os quebra-ventos podem incluir outros elementos produtivos, como madeiras, frutas, forragem e pasto apícola.
Para instalar um quebra-vento, deve-se primeiro identificar a face onde o vento predomina e plantar pelo menos duas faixas de árvores de diferentes alturas, para aumentar o efeito de proteção.
Em propriedades em transição agroecológica, os quebra-ventos devem isolar a propriedade também de vizinhos que aplicam agrotóxicos em suas terras.

Ilustrações: Patrícia Yamamoto

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