A floresta como escola

Sítio em São Carlos é palco dos atendimentos de educação ambiental do Plantando Águas

A floresta como escola

 

Sítio São João recebeu 1200 alunos neste primeiro ano

Texto: Marina Vieira | Fotos: Escola da Floresta

Um grupo de crianças uniformizadas chega no sítio e os monitores as levam para uma grande sala, de um chão feito de tijolos rústicos e com muitas janelas. Na parede, cartazes e quadros que contam histórias. Ali, eles combinam as regras do dia: “a floresta é a casa dos animais, e a gente não chega na casa dos outros fazendo barulho ou bagunça, né?”.

A seguir o grupo vai para um gramado, onde formam um círculo. Um dos monitores, o engenheiro ambiental Lucas Beco, pede para que fechem os olhos, sintam o calor do sol, o cheiro do mato, o barulho da água e do vento nas árvores. Propõe um exercício: agachar como se fôssemos sementes, e ir levantando, se espreguiçando, virando uma planta.

Esse é o começo de uma visita de estudantes ao Sítio São João, em São Carlos. Experiências sensoriais de contato com a natureza, conta a bióloga e monitora Regina Yabe, são de extrema importância na educação ambiental. Elas sensibilizam as pessoas para a necessidade de conservar este bem comum. É o que pensa também Caio Silva, que integra a equipe pedagógica da Secretaria de Educação de São Carlos. “Além de fazer parte dos conteúdos curriculares, eles vão ver na pratica o que é passado em sala. Faz parte da vivência para uma maior formação cidadã”, afirma Silva.

A visita segue para as margens do Ribeirão Feijão, e a temperatura já muda, ficando mais fresca e agradável. A equipe fala sobre as relações da floresta com a água, com a oferta de alimento e abrigo para animais. As crianças seguem para conhecer as estações de tratamento de esgoto com tecnologias sociais – a fossa biodigestora e o jardim filtrante, da Embrapa -, um experimento que mostra funciona a erosão e o assoreamento, uma composteira, a trilha que passa pela árvore “vovô (um Jequitibá de 150 anos), um viveiro onde elas preparam mudas de árvores nativas, e outras estações de aprendizagem sobre a natureza, a zona rural e a sustentabilidade.

O LUGAR

O Sítio São João foi a segunda propriedade a fazer um projeto de compensação de carbono e recuperação de mata ciliar com a Iniciativa Verde, há 12 anos atrás. Hoje, a área do restauro já está desenvolvida e desempenhando seu importante papel de proteção do Ribeirão Feijão, principal rio que abastece a cidade. A mata recuperada também serve como instrumento pedagógico da Escola da Floresta, o grupo de educação ambiental que tem feito os atendimentos do Plantando Águas.

“Nós recuperamos a mata do sítio, colocamos a fossa e o jardim e, até por ideia do pessoal da Iniciativa Verde, começamos um projeto de visitação”, conta Flávio Marchesin, um dos proprietários. O sítio já vinha recendo visitas da Embrapa, de estudantes das universidades sediadas em São Carlos e de outros projetos. Ele formalizou a experiência, fez um curso de educação ambiental e assim nasceu a Escola da Floresta.

Então, entre os anos de 2013 e 2015, o Plantando Águas construiu ali o Centro de Educação Ambiental (CEA), com taipa de mão e adobe, técnicas que diminuem o impacto ambiental da obra, e quase 4 mil estudantes participaram das visitas. Neste ano de 2018, cerca de 1200 crianças já participaram, de escolas públicas e projetos sociais da região.

 

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