A araucária como espécie produtiva

Em fase de testes, técnica de enxertia promete formar “pomares” do delicioso pinhão.

A araucária como espécie produtiva

As gralhas-azuis adoram o pinhão das aucárias. No inverno, elas retiram as sementes da árvores e as estocam na terra, o que ajuda na dispersão da espécie.

Texto e ilustrações: Daniel Miyazato

Quem viaja pelas estradas do sul e sudeste brasileiro sabe: as araucárias são uma visão inconfundível da paisagem. As copas de porte elegante impressionam mesmo aqueles que as veem há anos.

A espécie é dióica, portanto, existem árvores macho, portadoras de estróbilos, e árvores fêmeas, que produzem as pinhas, frutos cujas sementes são os pinhões. Ao contrário do que muitos pensam, o formato das copas não diz respeito ao sexo da planta. Aquela forma clássica, aberta nos níveis superiores e estreita em baixo é de exemplares mais antigos, com mais de 60 anos. Árvores mais jovens são mais triangulares.

A espécie está em perigo de extinção e uma maneira de combater a derrubada das árvores é lhes agregando valor econômico. As araucárias lançam ao solo pinhas recheadas de pinhões, famosos na culinária do sul e sudeste do Brasil. Pensando nisso, a Embrapa Florestas desenvolve uma técnica de enxertia de brotos para que as árvores possam dar frutos em menos tempo e de maneira mais previsível, o que tornaria a espécie interessante para a agricultura.

“Se um agricultor souber, por exemplo, a quantidade de pinhões que ele pode produzir em um ano, como se fosse um pomar de laranja, ele terá um incentivo econômico para cuidar das árvores”, explica o especialista em araucáricas da Embrapa Ivan Wendling. O “pinhão precoce” acontece porque brotos mais antigos carregam a memória genética de plantas que já produzem frutos. Assim, entre 6 e 8 anos, é possível obter os pinhões. Naturalmente, leva de 12 a 15 anos.

As sementes, além de saborosas, são bastante nutritivas. Como atesta a pesquisadora da Embrapa Florestas Cristiane Helm: “O pinhão se destaca principalmente pelo teor de fibras. Há também uma quantidade significativa de proteínas. Além disso, tem poucos lipídios e constatamos que boa parte do amido do pinhão é resistente à digestão, contribuindo para a baixa glicêmica.” Portanto, trata-se de um alimento bem-vindo em dietas para diabéticos e hipertensos.

Outro destaque feito pela pesquisadora é em relação aos alérgicos ao glúten. Esta proteína presente no trigo, no centeio e na cevada não se encontra no pinhão, fazendo da farinha da semente uma boa alternativa em cardápios livres de glúten.

PARA MAIS INFORMAÇÕES sobre o “pinhão precoce”, acesse o livro “Araucária: particularidades, propagação e manejo de plantios” no site da Embrapa Florestas: https://goo.gl/FGwoFj

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